JOSÉ MARINHO (1904 - 1975)
Nascido e criado na cidade Invicta, Marinho cedo foi marcado por uma determinada vivência muito própria do Porto que viria a marcar a sua personalidade e visão do mundo. O modo franco, dialógico e exteriónico que pautava a sociabilidade portuense cedo lhe criaram a convicção e um gosto particular pelo diálogo.
Em 1920 entra na Faculdade de Letras do Porto para frequentar o curso de Filologia Românica, tornando-se extremamente activo e envolvido na vida académica, rapidamente se destacou pela sua inteligência e eloquência, envolvendo-se em projectos como O Carrocha ou A nossa Revista, onde pôde publicar artigos e poemas muitos deles em homenagem ao seu Mestre.
Durante a sua estada na Faculdade, que incluiu de igual forma uma passagem pelo curso de Filosofia, teve inúmeras oportunidades de conviver com aqueles que iriam influenciar a sua formação filosófica futura, entre eles; Teixeira Rego, Luís Cardim ou um Hernâni Cidade, mas acima de tudo, o seu grande mestre, Leonardo Coimbra que representava para ele a grande figura que o influenciará decisivamente no seu percurso metafísico. De igual modo conviverá com semelhantes de estudo como Agostinho da Silva, Álvaro Ribeiro ou um Sant´Anna Dionísio para citar apenas alguns.
Apaixonado pela poesia de Teixeira de Pascoaes, apresenta, como tese de final de curso, uma dissertação intitulada; Ensaio sobre a obra de Teixeira de Pascoaes, revelando já uma acuidade e visão metafísica na sua interpretação, bem como uma definição prévia de um gosto por um certo visionarismo profético e denunciando claramente uma ontológica tão característica de Marinho.
Tendo leccionado logo a seguir a completar a Faculdade, Marinho terá oportunidade de começar a redigir os seus Cadernos de Reflexão sobre Cultura e Vida, onde verte já as suas reflexões acerca de uma miríade de assuntos, denunciando a influência tanto da literatura como de uma atenta leitura de Filósofos como Platão, Descartes, Espinoza ou um Kant, bem como Bergson, Jean Piaget ou Whitehead, entre outros.
Estas reflexões pessoais servirão mais tarde de ponto de partida para a redacção da sua obra Aforismos sobre o que mais importa, que constituirá a sua primeira objectivação de um pensamento e visão filosófica próprio.
Passando por inúmeros estabelecimentos de província entre 1931 e 1937, Marinho vai se dedicando às questões que mais lhe são caras, as quais pôde iniciar no seu livro de aforismos, dedicando para este efeito uma série de textos intitulados: Ensaios de Aprofundamento, tendo sido alguns publicados pela Seara Nova.
Nunca olvidando toda uma realidade política, social, psicológica ou cultural de seu tempo, Marinho foi se mantendo, contudo, à margem da intervenção política entregando-se antes as suas questões metafísicas.
Aquando da morte de Leonardo Coimbra, Marinho retoma, tomado pela dor do desaparecimento de seu mestre, a redacção de um texto interpretativo do pensamento filosófico do seu Mestre - O Pensamento Filosófico de Leonardo Coimbra.
A partir de 1940, instala-se em Lisboa, devido às dificuldades de trabalho no Porto, onde irá sistematizar as suas ideias mais profundas, em particular na sua obra Significado e Valor da Metafísica (1943) onde constitui uma apologia da metafísica contra uma perspectiva neopositivista dominante. Este intento apologético e contrário à do neopositivismo terá o seu ponto alto na sua obra de referência Teoria do Ser e da Verdade.
A sua estada em lisboa permitiu-lhe o contacto com outros intervinientes intelectuais de seu tempo como; Vergílio Ferreira, José Gomes Ferreira ou Natália Correia, entre outros.
Marinho escreveu inúmeros textos concernentes ao tema acerca da filosofia portuguesa, incluíndo textos acerca de Sampaio Bruno ou Guerra Junqueiro, entre outros.
Em 1947, Marinho entrega-se ao projecto de Nova Interpretação do Sebastianismo, tendo sido abandonada, entre outras, para abraçar a sua obra Teoria do Ser e da Verdade.
Em 1961, Marinho é convidado por Delfim Snatos a integrar o Centro de Estudos Pedagógicos da Fundação Calouste Gulbenkian, onde permanenceu até à sua morte a 3 de agosto de 1975, por motivo de doença já antiga.
Em 1974, pouco tempo antes de seu falecimento, Marinho encontrava-se, contudo, empenhado na sua obra derradeira; Verdade, Condição e Destino do Pensamento Portugês, na qual mantinha aquele empenhamento no movimento de reabilitação da «filosofia portuguesa».
Em 1981, a família viria a depositar todo o seu espólio na Biblioteca Nacional de Lisboa onde, juntamente com a sua biblioteca pessoal doada mais tarde, prosseguem os trabalhos de estudo, organização e publicação de muitos textos inéditos.
(evento 2004 Biblioteca Nacional) http://www.bn.pt/agenda/evento-jmarinho.html



